Causídico
23.5.05

Revenge

É gostoso ver que as buscas SAC GRADIENTE, defeito dvd gradiente e GRADIENTE TOCA NADA
trouxeram pessoas para esse blog. Para saber o que a gradiente aprontou comigo clique aqui.
Como é doce o sabor da vingança...

Aproveitando o post para um momento Google, esse cara foi campeão: coisas legais que alguem inutil pode fazer . O que dá na cabeça dum sujeito pra ele procurar isso na Internet????

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19.5.05


Quem diria hein Lulinha????

Sinceramente eu estou quase tirando o estilingue do fundo do armário, 19,75% ao ano sem justificativa nenhuma é o absurdo dos absurdos....

A charge é do Caco Galhardo (um clique na imagem leva ao site dele) e está publicada na Folha de hoje.

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18.5.05

Information Superhighway

18/05/2005 - 15:18 (-3:00 GMT) - Eu leio aqui que o nome completo do piloto de F1 da Jordan é Tiago Vagaroso da Costa Monteiro.
18/05/2005 - 15:20 (-3:00 GMT) - Eu mando um email para o Flávio Gomes comentando o fato.
18/05/2005 - 15:35 (-3:00 GMT) - Flávio me responde o email lá de Mônaco aonde ele já está cobrindo o GP*
18/05/2005 - 15:50 (-3:00 GMT) - Essa nota no site Grande Prêmio dá a notícia. Esse é o site da a agência de notícias do Flávio Gomes que cobre a Fómula 1 para 62 jornais brasileiros.

E menos de uma hora depois eu já estou contando a história no meu blog. Caraca!!!!!
* Em Mônaco os treinos acontecem nas quintas e sábados, não existem treinos nas sextas.

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17.5.05

Termodinânica

Segundo a lei da termodinâmica, nós sabemos que 1 Kcal é a energia necessária para esquentar 1g de água em 1ºC.

Não é necessário ser nenhum gênio para calcular que se um ser humano beber um copo (200ml) de água gelada a 0°C usará 200 Kcal para aquecer essa água em 1°C.

Para haver o equilíbrio térmico com a temperatura corporal, são necessárias, então, aproximadamente 7.400 calorias para que estes 200g de água alcancem os 37° C da temperatura corporal (200 Kcal X 37°C).

Então, esta é a quantidade de energia necessária para manter a temperatura de nosso corpo a 37° C. A termodinâmica não nos deixa mentir sobre esta dedução.

Assim, se uma pessoa beber um copo de cerveja grande(aproximadamente 400ml na temperatura de 0°C), ela perde aproximadamente 14.800 calorias (400g x 37°C).

Não podemos esquecer de descontar as calorias da cerveja (aproximadamente 380 Kcal em 400ml cerveja).

Portanto, observa-se que um indivíduo perde aproximadamente 14.420 Kcal com a ingestão um único copo de cerveja bem gelada.

Obviamente quanto mais gelada for a cerveja maior será a perda calórica.

Fica claro, portanto. que tomar cerveja gelada é muito mais efetivo do que andar de bicicleta ou correr, ou fazer qualquer atividade que queima aproximadamente 800 Kcal por hora.

Amigos, a conclusão deste raciocínio é muito simples: para emagrecer basta beber cerveja bem gelada, em grandes quantidades e deixarmos a termodinâmica cuidar do resto.

A pergunta é: Aonde está o erro desse raciocínio????

Ceis pensam que é só chegar aqui e ler as besteiras que eu publico é??? Vamos começar a botar esses neurônios pra funcionar.... O vencedor ganha um suprimento pra toda vida de NADA!!!!

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12.5.05


Tem coisa minha lá, procurem.


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11.5.05

NA TRAAAAAAAAAAAVE!!!!!

EUA investigam 'granada' lançada contra Bush

Links do Google News pra você dar uma olhada como a imprensa americana registrou o fato.

Como diria Ray Charles: Georgia on my mind (totalmente fora de contexto)

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9.5.05

Isso é o que a gradiente DIZ que faz com seus consumidores:
"Somos uma empresa comprometida com o encantamento dos nossos consumidores. Pautamos nossas relações pela ética porque acreditamos e respeitamos as pessoas. A integridade é o nosso padrão de conduta. Somos empreendedores, inovadores e temos a excelência como meta.
Tudo isso fundamenta nossa solidez, credibilidade e nossa crença no Brasil."

Fonte: http://www.gradiente.com/site/empresa/pt/nossafilosofia.asp

Isso é o que ela REALMENTE faz:
22-dez-2004 - Adquiro um aparelho de DVD, marca gradiente, modelo D-461 no Eletro.

21-jan-2005 - Após o aparelho travar ao tocar vários discos originais, levo o aparelho à assistência técnica. Sou informado que o aparelho será trocado no prazo de 10 dias úteis.

26-jan-2005 - Atendente do SAC da Gradiente informa que toda a série do DVD será trocada devido a defeito.

01-fev-2005 - Atendente do SAC da Gradiente informa que o DVD será trocado até o dia 15/fev. Ao ser questionada sobre o prazo inicial de 10 dias, informa que "de acordo com o Código de defesa do consumidor, a geadiente tem 30 dias para estar efetuando (sic) a troca do aparelho" O email abaixo foi enviado a gradiente como protesto pelo mau atendimento da funcionária.
No dia 22/12/2004 adquiri um aparelho DVD, marca Gradiente modelo D-461. Alguns dias depois o aparelho apresentou problema na leitura dos discos. O aparelho foi levado a assistência técnica em São Paulo-SP no dia 20/01/2005, cadastrado como ordem de serviço número 1234. Nessa ocasião foi me dado um prazo de 10 dias para a solução do problema.

No dia 01/02/2005 por volta das 13:45 entrei em contato com a central de atendimento gradiente (3095-5151) para saber uma posição sobre o aparelho pois a Assitência técnica nada soube me informar. A atendente me disse que o aparelho seria trocado até o dia 15/02/2005. Ao perguntar sobre o prazo de 10 dias fornecido para a solução do problema a atendente foi extremamente mal educada citando o artigo 18 do código de defesa do consumidor que dá um prazo de 30 dias para a Gradiente solucionar o problema. No meu entendimento consumidores dos produtos gradiente não deveriam ser tratados dessa maneira acintosa, tudo o que eu queria é uma posição um aparelho adquirido que apresentou problema, e não uma aula sobre o código de defesa do consumidor.

Solicito que a gradiente faça a troca do aparelho o mais breve possível, e que não ultrapasse de maneira alguma o prazo estabelecido no art.18 pois nesse caso eu solicitarei "restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada sem prejuízo de eventuais perdas e danos;" Art. 18 Paragrafo 1º Inciso II do CDC.

Esse foi o primeiro aparelho Gradiente que adquiri e certamente será o último, pois uma empresa trata consumidores que tiveram problemas com aparelhos adquiridos com essa educação, calcando-se em prazos estabelecidos em lei certamente não merece minha confiança.


??-fev-2005 - Atendente do SAC entra em contato após o recebimento do email. Afirma que a política da empresa não é aquela tal e coisa mas não se desculpa em nenhum momento pelo ocorrido.

18-fev-2005 - Atendente do SAC entra em contato informando que o novo aparelho está sendo remetido à assistência técnica.

19-fev-2005 - Atendente do SAC entra em contato oferecendo a troca do aparelho por outro modelo, uma vez que o modelo adquirido estava em falta. Ao ser questionada sobre a informação da remessa do aparelho, descobre que o aparelho já havia sido remetido.

24-fev-2005 - O aparelho é retirado da assistência técnica.

09-mar-2005 - O aparelho apresenta defeito novamente. Dessa vez ele toca aproximadamente 50% dos discos que são inseridos nele. Eu vou ao Procon e faço uma reclamação, solicitando o ressarcimento dos valores e remeto novamente o aparelho à assistência.

11-mar-2005 - Gradiente recebe via correio a reclamação do Procon.

17-mar-2005 - Atendente do SAC da Gradiente sugere que eu "procure meus direitos".

22-mar-2005 - Passado o prazo de resposta à reclamação do Procon, eu entro em contato com o escritório da gradiente e descubro que eles ainda não haviam tomado ciência da reclamação.

30-mar-2005 - Atendente do SAC retorna propondo a troca do aparelho por outro modelo (o mesmo atendente que havia sugerido que eu procurasse meus direitos). Ante a minha negativa solicita a nota fiscal do aparelho e me dá o prazo de 35 dias úteis para a devolução da quantia. Ao questionar o prazo recebo a informação que ele está no código de defesa do consumidor. Eu envio um fax a gradiente me opondo ao prazo.

15-abr-2005 - Eu entro em contato com o escritório da gradiente e sou informado que o ressarcimento será feito até o dia 15 de maio. Ao questionar o prazo descubro que a primeira página do fax aonde eu solicitava novo prazo sumiu.

04-mai-2005 - Funcionária da Gradiente entra em contato comigo informando que a devolução do dinheiro será enviada via DOC pra minha conta na sexta feira. Eu resolvi confirmar os dados para crédito e adivinhem???? A conta estava errada!!!!

09-mai-2005 - Gradiente deposita o valor referente ao DVD adquirido na última semana do ano passado na minha conta corrente corrigido em 2,62%

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3.5.05

Perceba que o site é britânico... pelo jeito a colonização da América não fez muito bem pros nossos amigos saxões. Shakespeare desaprovaria.

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1.5.05

Saudades...

Estava na minha sala no autódromo quando o celular tocou. Era o chefe.

"Tudo bem aí?"

"Tudo, chefe, o que manda?"

"Seguinte, preciso ver algumas coisas aí. Preciso dar uma olhada porque o belga (Roland Bruynseraede, o Charlie Whiting da época) vai chiar, vai ter que mexer no Berger e no Mergulho"

Você vem com o Esquilo e vamos dar uma volta com a Onça"

Onça era um Opalão quatro cilindros, preto, quatro portas. Um coitado. Ele estava caindo de podre e graças ao querido amigo Paulo Taliba consegui pegar o carro para o autódromo num rolo inacreditável entre departamentos. E acredite se quiser: o chefe se divertia muito guiando a Onça. Uma vez, duas ou três semanas antes do GP do Brasil de 1994, ele me ligou e disse: "Vou aí dar uma repassada nas obras, faz o shakedown do Onça".

O shakedown era colocar 42 libras nos pneus dianteiros e 39 nos traseiros (aliás, as únicas coisas novas do carro, presente dos bons amigos da Pirelli, quatro radiais 185 nos trinques), além de checar o arame da porta dianteira direita para ver se estava firme sem ataques de ferrugem.

Ele ria muito e nos divertíamos, principalmente quando eu, para dar um tempero, imitava o locutor da TV e narrava as voltas contra um imaginário piloto de pequena estatura e nariz enorme, docemente apelidado de "Narizinho". E um grande urso inglês chamado "Roaaarrr", com suas luvas uma de cada cor, vermelha na mão direitae azul na mão esquerda. Um canhão, rapidíssimo. Daqueles tipos que você acabava até gostando. A gozação em cima de "Roaarr" é que demorava um pouco para cair a ficha dele.

Deixei a Onça pronta, mas aquele dia seria especial. Ele chegou por volta das 17h20, com uma Perua Audi S2. X-tudo. Turbo, cinco cilindros, jogada no chão, aquelas rodas absurdas. Aquele barulho metálico ardido de motor bravo (as BMWs também têm esse barulho característico de isca, pega).

Sentei no lado direito, passei o cinto e já cutuquei: "Isso aqui anda ou é para ir à missa?"

"Por quê?"

"Nada, só estou perguntando"

Entramos pelo portão de cima mesmo e viramos à direita, rumo ao "S" com o nome dele. No começo da descida, paramos. Ele ficou olhando para a brita. Não perdi a viagem: "Está lembrando do esparramo que o teu parceiro made in USA (Andrettinho) fez na largada do GP desse ano, aqui?"

"Isso acontece", desconversou.

Na saída da segunda perna, ele contou: "Aqui foi a primeira vez que a luz de pressão de óleo acendeu no final do GP do Brasil. Eu vi de relance e fiquei imaginando se não tinha sido impressão. Me preparei para olhar na outra volta e a tensão aumentou porque eu estava controlando o Damon e o alemão que vinham atrás. Eu estava muito ligado neles porque o Damon usava aquele carro de outro planeta e o alemão tinha aqueles cavalinhos a mais que o meu motor, por estar usando uma série à frente". Perguntei seco: "Não tem jeito de mexer neste contrato da Benetton com a Ford?". A resposta foi meio desanimadora: "O Ron está tentando, mas não vai ser fácil, o Flavio (Briatore) está marcando em cima".

Foi a deixa para matar a curiosidade: "Além da distribuição pneumática, tem mais alguma coisa na usina, não tem?", perguntei. A confirmação veio, como sempre, discreta: "É, tem algumas coisinhas". Emendei para não perder o mmento: "Quantos cavalinhos o motor do alemão tem a mais tem a mais que o teu?"

Ele, como sempre modesto, respondeu: "Um pouco".

Cheguei junto, agora é a hora: "Um pouco quanto? Uns 90 hp?". Estava difícil tirar informação do homem. "Não, menos", falou. Resolvi forçar mais um pouco, já perto do limite: "70? Fala aí!". Ele manteve a guarda alta: "Não sei".

Agora vou cutucar para tirar o cidadão do sério e arriscar o meu pescoço: "Senhoras e senhores, estamos entrevistando um piloto de F1 que não sabe quantos cavalos tem o seu motor, é espantoso!"

Foi o tempo de encolher o pescoço e levantar os ombros.

O que veio a seguir foi em três idiomas: português, inglês e, sou capaz de jurar que alguma coisa em japonês: "Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii (censurado) ficou p piiiiiiiiii da vida.
Senti que poderia ser o momento e mandei uma paralela: "Não apela, vou chutar 40 a 45 burritos a mais". Silêncio, deu até para ouvir um pouquinho do CD do Phill Collins. Armou um bico e completou com um muxoxo: "Hummm, por aí". [NOTA minha: Essa eu quero dedicar aos Schumaquistas teenagers que falam merda sobre o motor do Senna em 93. Calem suas bocas e vão aprender sobre F-1 idiots]

Precisei dar uma descontraída no ambiente: "Respeitável público, além de perder o lugar para o anão na Williams, ainda guia corrida a corrida com 40 cavalitos a menos no motor!"

A seguir, momentos de uma leve baixaria e muita risada. Quando estávamos no final da Descida do Lago, já apontado para a subida do Laranjinha, o chefe veio com mais uma: "Essa saída do Lago me preocupa, se der uma escapada em pêndulo, com chicotada ao contrário, vai bater feio, precisava dar um jeito de mexer aqui". Rebati: "Já pedi para os engenheiros da Emurb darem uma olhada no que é que dá para fazer. Aqui tem um complicômetro, chefia: a confluência dos lagos. A única saída de emergência é colocar o guard-rail mais próximo da pista para não deixar ganhar velocidade na hora que esparramar. O problema, chefe, é a hora que der uma pregada bem caprichada do lado esquerdo. A lâmina vai devolver e o "elemento" vai cruzar a pista de volta para o lado direito. Precisa ver se não pega ninguém, nenhum anu errante no contrapé da biaba". Ele me deu uma olhada, armou uma risada de canto de boca, e conferiu: "Elemento, anu errante, contrapé da biaba?"

Devolvi bem curta: "Chefia, você entendeu, não estica".

Quando chegamos ao cotovelo - ou Bico de Pato -, ele comentou: "Aqui acendeu de novo a luz da pressão e desta vez eu vi e envelheci. Só me faltava esta, estava no final da prova. Na África do Sul devia ter chovido 15 voltas antes, e aqui, essa?! Ainda bem que o motor, que já tinha dado umas amarradas nas voltas atrás do safety-car, aguentou, já estava uma barra e agora a FISA ainda me penalizando não sei até agora por que. Fiquei um tempão atrás do Erik (Comas, que foi o rei do ventilador no GP, pois arrumou time penalty para todo mundo) e, quando ele tirou o pé e me mandou passar, os caras me deram o pênalti".


Subimos a Junção e, no final do Café, ele diminuiu. Levou a X-tudo para o lado direito, deu uma provocada para o lado esquerdo e chamou o freio de mão. Currupeio perfeito. Viramos 180º e já estávamos voltando para o Café, iniciando a descida para Junção. Pensei: acho que é agora, vou atiçar.

"Respeitável público, no espetáculo de hoje teremos Don Becon e sua peruazinha", brinquei.

Peruazinha foi a palavra mágica. Cutuquei a fera com vara curtíssima.

"Você vai ver o que isso anda".

Infernizei: ""É bom mesmo, porque os caras da BMW estiveram aqui na semana passada e eu executei uma M3. Achei que anda muito, por isso estou achando isso aqui meio lerdo". Aí o homem pegou no breu: "Então vamos ver quanto vira nesta pista ao contrário, você tem idéia?", perguntou. Pensei comigo..."Consegui incendiar a fera"...

Completei jogando mais um pouco de gasolina: "Não sei, mas vou abrir o relógio e navegar: Atenção, Siviero para Biasion, Junção à direita, freada forte e quarta, pé embaixo".

A partir deste momento foi só pintura. Adrenalina pura, movimentos precisos, derrapagens controladas, controle absoluto, um conjunto de ordens e contra-ordens que a S4 obedecia docilmente, como que sabendo quem manda, quem é o dono. O carro não ia para onde queria, e sim para onde "ele" queria e colocava. O cheiro de borracha queimada já era forte dentro do habitáculo.

Começando a subir o Mergulho, mandei:"Pironnen para Kankkunen, direita de alta, quarta, pé embaixo". Quando ia avisar do Bico de Pato, o cotovelo tinha chegado. O problema é que saímos meio atravessados para o lado contrário da curva que era para a esquerda (nós estávamos andando ao contrário). Nos últimos metros antes de passar do ponto e com um improviso espírita, ele "inventou" um pêndulo que, sinceramente, não sei onde ele foi buscar. Absurdo, já todo torto, ele deu uma provocadinha e a barata entrou na dele, ameaçou voltar, eu só ouvi ele dizer: "Te peguei!". A partir daí foi mais ou menos assim. Na pequena balançada da direita para a esquerda, ele percebeu antes e pendurou nos alicates (ABS). O barulho lá embaixo na frente era característico: "Cram...Cram...Cram = Tradução: Não vai travar".

Quando a frente ameaçou entrar, ou melhor, quando a traseira ameaçou soltar, eu só ouvi um "rrrrrrrrrrrrrrrriiiiiippp". Freio de mão puxado, ni qui, travou o eixo lá atrás, foi-se a traseira. Quando ela foi, assinou a sentença de execução do carro. O torpedo como um todo começou a contornar, girando sobre um eixo imaginário bem no meio do carro, fazendo uma meia lua, até chegar perto da metade da entrada do Bico de Pato.

Não sei se vocês estão percebendo a magia da manobra. Até aí, ele só vinha trabalhando com forças atuantes, sistema de freio em sequências de derrapagens controladas. Naquela sucessão de manobras, ele já vinha com a mão direita selecionando uma marcha adequada para a saída. A curva que era para ter passado, não passou. Nós estávamos dentro dela, quase apontados para a saída, com a marcha ideal selecionada e a plataforma motriz em stand-by esperando a vez dela. Chegou. Lembro que bati os olhos no velocímetro estávamos entre 95 e 105 km/h. Aquele era o ponto. O pé direito dele foi junto com o meu berro: "Dá-lhe gás!". Naquele momento eu relembrei a ira dos deuses enfurecidos e a brutal potência da usina turbocomprimida da casa de Ingolstadt. Absurdo, absurdo, eu não conseguia definir se era castigo do céu ou coice de mula: com as costas coladas no banco, via a S4 seguir uma trajetória muito bem definida a caminho do Pinheirinho.

Sem deixar cair a peteca, emendei: "Kivimavi para Allen, terceira marcha cravado sem tirar o pé".

Mas sempre tem um mas. Quando ele apontou puxando para a direita, o foguete empurrou um pouquinho à frente, ameaçando alargar a trajetória. Junto com a tentativa de reação, ele imediatamente telegrafou o acelerador, fazendo a traseira escorregar e ficar mais ou menos a uns 15º apontada para o lado de dentro da curva. Era tudo o que ele queria para chamar potência no acelerador. Fizemos o Pinheirinho e o "S" (antigo) em dois pêndulos. Quando chegamos perto da zebra saindo do "S" e a caminho do Laranjinha (só relembrando que estamos andando ao contrário na pista), comentei: "Nossa o que é no chão esse torpedo! O que fala essa usina e uma estupidez!". Ele completou "Você vai ver nas de alta". Ao ouvir aquilo fiz uma reflexão: "Senhor, vou testemunhar a verdade, vou conhecer de perto o toque divino de um dos eleitos".

O motor urrando, o turbo descarregando, a velocidade crescendo, o Laranjinha, a Subida do Lago velocíssima com freada forte para a segunda perna na entrada da reta a caminho do Berger.

Todo o Berger à direita (nós estamos andando ao contrário). O pêndulo veloz direita esquerda para subir o "S" dele. E mais, a encardida chegada da Junção morro abaixo, quinta a pleno. Não teria como descrever para vocês, não encontraria palavras. São sensações que você sente quando por exemplo entra num Louvre e descobre nomes como Leonardo da Vinci, Raffaello Sanzio, Michelangelo Merisi, Rembrandt Harmensz. Ou quando ouve Antonio Vivaldi, Franz Schubert, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig von Beethoven, Johann Sebastian Bach ou mesmo uma "Rhapsody in Blue", de Gershwin.

Quando você percebe que está com alguém que faz parte desta lista dos "eleitos", como os citados acima, você se sente especial. Você vive um pequeno momento especial, que você vai levar para o resto da sua vida sem esquecer um detalhe.

Poesia ou não, sempre tive a impressão que Deus manda uns caras aqui na Terra para mostrar como ele faz as coisas. Mas, Edgard, não dá para contar? Desculpe, não dá. Eu não tenho como descrever reações, comportamentos, atitudes, antecipações, acima de 200 km/h. Você simplesmente fica olhando sem querer perder nada. É isso.

Não dá para contar, é uma coisa sua, como foi de Gagarin, Carpenter, Armstrong e Buz Aldrin. Como você quer ver tudo e não perder nada, alguma coisa você registra. O resto, você absorve. Acho que demos umas oito voltas, depois da terceira virou rotina, conversamos, demos risada, eu xinguei a FISA (para variar)...O cheiro de borracha queimada não parou, nem diminuiu, nós é que acostumamos com ele. Lá pela sexta volta perguntei sobre Donington a resposta você já sabe. A "peruazinha" S2, um demônio, serve até para ir à feira, mas não leva desaforo para casa. Aquele motor não tem cavalos, tem bufalos enlouquecidos que, quando provocados, fazem desabar uma tormenta.

Perto do portão de saída, falei: "Me deixa aqui, vou andando até a minha sala. Falou, até mais, chefia". Preocupado, me pediu: "Qualquer coisa, me liga. Se chegar algum pedido da FISA, me passa por fax".

Para não perder o costume, provoquei na saída: "Fica frio. Da próxima vez, vem com um A8, tá bom?".

Ele deu uma gargalhada e se perdeu no transito da Teotônio Vilela.

Fico imaginando que, para quem pudesse andar com Jim Clark, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Jackie Stewart, Nelson Piquet e Michael Schumacher, a sensação deveria ser a mesma. Só sei que, lá pelas tantas em casa, já na madrugada, olhei para o relógio e vi que o cronômetro ainda estava funcionando. Eu tinha esquecido de parar aquela volta que fiquei de marcar. Naquele momento, 1h30 da manhã, descobri que oito horas atrás eu tinha vivido uma aventura que ficaria na minha lembrança para o resto dos meus dias. Simplesmente ela se juntava a outras como o meu primeiro DKW de corrida, a minha primeira vitória com o Opala, A vitória nos 1000 Km de Brasília, a vitória nas 12 de Goiânia, a vitória no Troféu José Carlos Pace em Brasília, meu primeiro Campeonato Brasileiro de D3, o segundo, meu primeiro vôo num PA18, (todo mundo chamava de teco-teco). Lembranças, memorys, coisas que você não esquece mais.

Não sei se isso ajudou, mas por essa e outras experiências eu não tive nenhuma dúvida em ir para a frente das câmeras da TV Manchete naquele maio maldito e ficar berrando, durante oito ou nove horas, que podiam esconder todas as fitas que quisessem, mas ele não tinha errado [NOTA2: Eu assisti e realmente ele berrava e xingava como nunca tinha visto numa tv antes...isso durante todo o domingo..]. Alguma coisa tinha quebrado ou acontecido. Está bem, não discuto, tinha chegado a hora dele, ninguém foge dos desígnios de Deus. Mas ele foi de pé, como um grande campeão. Reduziu três marchas e freou. Quer mais consciência do que isso de uma situação de emergência?

Os números podem falar o que for, pouco me importa. Eu sou feito de emoção. Nasci, vivi e vou morrer assim. A vida sem adrenalina simplesmente não tem graça. Jamais vou separar a emoção do coração. Por isso, onde você estiver - Acelera, Ayrton. Acelera, campeão

Edgard de Mello Filho

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